terça-feira, 29 de março de 2011
domingo, 20 de março de 2011
lado a
1. Flying Home
2. Hey Baba Re bop
3. Hamp's Boogie Woogie
4. Kidney Stew
5. Hamp's Mambo
6. Airmail Special
lado b
1. Big Brass
2. Red Top
3. Night Train
4. Elaine & Daffy
5. Cutter's Corner
6. Le Chat Noir
http://www.4shared.com/audio/u-Dn3q7f/Copy__2__of__Set_Demo_Lionel_H.html
set demo Lionel Hampton
sexta-feira, 18 de março de 2011
quinta-feira, 17 de março de 2011
ADEIZON ALVES
1. Mulher Valente É Minha Mãe
(João Nogueira)
Intérprete(s): João Nogueira
2. Batuquegê Prá Rosalina
(Baianinho)
Intérprete(s): Baianinho
3. Vem Raiando o Dia
(Delcio Carvalho)
Intérprete(s): Roberto Ribeiro
4. Dora
(Aniceto do Império)
Intérprete(s): Aniceto do Império
5. Samba do Beco
Intérprete(s): Aroldo Melodia
(Adhemar de A. Vinhaes / Jacaré)
Samba da Gafieira
(Adhemar de A. Vinhaes / Jacaré)
A6. Caminhante Solitário
(Wilmar Costa)
Intérprete(s): Nadinho da Ilha
1. Lapa
(Waldir 59 / Ari Guarda)
Intérprete(s): Nadinho da Ilha
2. O Homem de Um Braço Só
(João Nogueira)
Intérprete(s): João Nogueira
3. Eu Avenida e Você
(Jovenil Santos / Paulo Debétio)
Intérprete(s): Roberto Ribeiro
4. Amélia Negra
(Clóvis Scarpino / Wilson Moreira)
Intérprete(s): Edalmo da Mocidade Independente
5. Vou Brigar Com Ela
(Aurinho da Ilha / Ione do Nascimento)
Intérprete(s): Aroldo Melodia
6. Poeira do Caminho
(Marinho da Muda)
Intérprete(s): Marinho da Muda
quarta-feira, 16 de março de 2011
01 Meu Sexto Sentido.mp3
02 Valeu a Experiência.mp3
03 Partido da Antiga.mp3
04 Samba de Ninar.mp3
05 Dedo Na Viola.mp3
06 Pombo Correio.mp3
07 Flamengão.mp3
08 Entrevista.mp3
09 Partido Alto.mp3
10 Dor de Amor.mp3
11 Sandalha de Prata.mp3
12 Em Boca Fechada Não Entra Mosca.mp3
13 Partido Alto.mp3
14 Totonho e Maria.mp3
15 Boa Noite.mp3
16 Rala Rala.mp3
17 Estrela de Oiá.mp3
18 Vamos Sacudir.mp3
19 Samba de Roda.mp3
20 Peço a Deus.mp3
21 Chico Chora.mp3
01 Let the good times rool.mp3
02 Express your self.mp3
03 How about a little love.mp3
04 Hard work.mp3
05 Tequila.mp3
06 In a little spanish town.mp3
07 The now sownd.mp3
08 Let's go.mp3
09 A sinng of pearl's.mp3
10 Feel so bad.mp3
11 Rock house.mp3
12 Mastigando drop's.mp3
13 Briar patch.mp3
14 Chatanoo ga choo choo.mp3
15 Walkin.mp3
16 Samba rock o som dos.mp3
17 High now.mp3
18 El gato.mp3
19 Capitain bacardi.mp3
20 O som dos black's.mp3
21 Just jopin.mp3
01 Poema Ritimico do Malandro.mp3
02 Sabada.mp3
03 Meu Abraço ó Violeiro.mp3
04 Coisa Linda.mp3
05 Cadê Minha Viola.mp3
06 Esquindim Dim.mp3
07 Tambourine.mp3
08 Muito Incrementado.mp3
09 Risada (Melo da Crise).mp3
10 A Lua é minha.mp3
11 Samba da Benção.mp3
12 O Paquera.mp3
13 Curtição.mp3
14 Era uma vez um Homem e uma Mulher.mp3
15 Falador Passa Mal.mp3
16 Malandro é Malandro e Mané é Mané.mp3
17 Pena Verde.mp3
18 Meu Querido Amor.mp3
19 O Comilão.mp3
20 Muito Obrigado.mp3
21 Mentira Carioca.mp3
22 Pancada de Amor não Dói.mp3
23 Beira D´agua.mp3
24 Palladium.mp3
01 Come Back My Love.mp3
02 Tweed Lee Dee.mp3
03 A Little By Love.mp3
04 Ring A My Phone.mp3
05 So Much.mp3
06 Saturday Night The Movies.mp3
07 Hurtin Inside.mp3
08 Little Miss Flirt.mp3
09 There Is A Mountain.mp3
10 When I See You.mp3
11 Bad Water.mp3
12 Tweed Lee Dee.mp3
13 A Lover´s Question.mp3
14 Mojo Workout.mp3
15 All Right Okay You Win.mp3
16 Mama Can I Go Out Tonight.mp3
17 Pink Shoes Laces.mp3
18 Little Bitty Pretty One.mp3
19 I Wanna Be Your Girl.mp3
20 Ain´t Nothing Wrong.mp3
21 Magic Trumpet.mp3
22 Ain´t No Sunshine.mp3
23 Lahaina Luna.mp3
24 Lover.mp3
01 Coisa Nostra.mp3
02 Um Bucadinho Só.mp3
03 Zé Ciumento.mp3
04 Partido Na Cozinha.mp3
05 Tereza Aragão.mp3
06 Namorada da Sede.mp3
07 Tenha Fé, Pois Amanhã Um Lindo Dia Vai Nascer.mp3
08 Amante Amado.mp3
09 Colecionador de Amigos.mp3
10 Embrulheira.mp3
11 Bahianita.mp3
12 Scaba Badi Bidu.mp3
13 Não Diga Não.mp3
14 Ritmo Manhoso.mp3
15 O Bom Malandro.mp3
16 País Tropical.mp3
17 Menina Carolina.mp3
18 Miudinho.mp3
19 Na Fazenda.mp3
20 Inteligência.mp3
01 Balanço do navio.mp3
02 Roda de samba.mp3
03 Tereza.mp3
04 Que lugar danado.mp3
05 O tocador quer beber.mp3
06 Sorriso negro.mp3
07 Prea comeu.mp3
08 Circo marimbondo.mp3
09 Swing Brasil.mp3
10 Bom dia- boa tarde- boa noite.mp3
11 16 toneladas.mp3
12 Beco sem saída.mp3
13 Luiza manequim.mp3
14 Alô fevereiro.mp3
15 Estou dez anos atrasado.mp3
16 Ai que saudade dessa nêga.mp3
17 Tá na hora.mp3
18 O namorado da viúva.mp3
19 Carolina Carol bela.mp3
20 Gostosa maluca.mp3
21 Jorge well.mp3
22 Midnighter.mp3
23 Sugar of lof.mp3
24 Tequila.mp3http:
01 Jockin Robin.mp3
02 Check My Machine.mp3
03 Who´s Got The Paper.mp3
04 Don´t Let The Sun.mp3
05 Fee Fee Foo.mp3
06 Blame It On.mp3
07 Floy Joy.mp3
08 Little Bitty.mp3
09 Rokin Robin.mp3
10 Mr. Big Stuff.mp3
11 Gonna Get Along.mp3
12 Whi Can´t You.mp3
13 Soul Bossa Nova.mp3
14 If I Can´t Have You.mp3
15 La Cucaracha.mp3
16 Cotton Candy.mp3
17 Booga Lovin Ronn.mp3
18 My Heart Belong.mp3
19 Swing the Mood.mp3
20 Corrine Corrina.mp3
21 Echo of Love.mp3
22 Kind of Drag.mp3
23 Sweet Nothin´s.mp3
24 My Pledge of Love.mp3
01 O cravo brigou com a rosa.mp3
02 Carly & Carole.mp3
03 Jesualda.mp3
04 Take me back to Piauí.mp3
05 Meu guarda chuva.mp3
06 Amor dos outros.mp3
07 Quem tem carinho me leva.mp3
08 Se voce quiser mas sem bronquear.mp3
09 Não adianta.mp3
10 É isso aí.mp3
11 Katarina.mp3
12 Você não entende nada.mp3
13 Vendedor de bananas.mp3
14 O telefone tocou novamente.mp3
15 Minha teimosa, uma arma pra te conquistar.mp3
16 Os alquimistas estão chegando.mp3
17 Noves fora (O progresso).mp3
18 Bom dia Rock'n Roll.mp3
19 Que pena.mp3
20 Quem Mandou (Pé Na Estrada).mp3
21 Ponto De Encontro.mp3
01 Litlle bitty preeton.mp3
02 teenager in love.mp3
03 baby come back tome.mp3
04 boy fron new york city.mp3
05 weep no more my baby.mp3
06 why do fools fallin love.mp3
07 wistle stop.mp3
08 lollipop.mp3
09 forever forever.mp3
10 a lover's question.mp3
11 lover please.mp3
12 dametemi un martello.mp3
13 that's why.mp3
14 frankie.mp3
15 if had a hamme.mp3
16 Got My Mojo Working.mp3
17 Bert Kaempfert & His Orchestra - Afrikaan Beat.mp3
18 sugar lip's.mp3
19 samba de uma nota só.mp3
20 hobbies.mp3
21 the pianist.mp3
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
JORGE
O HOMEM PATROPI
Na maior entrevista de sua carreira, Jorge Ben Jor fala de família, suingue e alquimia
- Na maior entrevista de sua carreira, Jorge Ben Jor mostra por que, nos últimos 40 anos, nunca deixou de ser uma das mais completas e transparentes traduções do Brasil. Ele abre o jogo sobre a mãe de família etíope e o pai descendente de austríacos, sobre a fusão do samba com o rock, a ponte aérea Rio-Flórida, o futebol, o golfe e a transmutação de metais em ouro. Nas próximas páginas, relaxe e curta o suingue do maior alquimista da música brasileira
Há quase cinco décadas Jorge Ben Jor tem oscilado entre fases de superexposição e outras de relativo sumiço. Mesmo nessas últimas, desde 1963 nunca deixou, nem um minuto sequer, de ser uma das mais completas e transparentes traduções de Brasil.
Idêntico ao Brasil, Jorge é uma usina produtora de sambas. Mas são sambas tortos, impuros, exuberantes, miscigenados, sacudidos por influência norte-americana do funk e da soul music. Iguaizinhos ao Brasil, são sambas mestiços de europeus e indígenas, de quando todo dia era dia de índio, e black music total, música negra brasileira.
Historicamente, é criador de letras de imediato poder comunicativo e contundente simplicidade. Sob linguagem direta, sem rebuscamentos nem medo de derrapar nas normas cultas da língua, conta histórias simples e não raro tortuosas, mas que todo brasileiro (e mesmo um punhado de gringos) entende num piscar de olhos – o trio formado por “País tropical”, “Fio maravilha” e “Taj Mahal” é suficiente para provar e mover a massa, onde e quando for repetido.
Suas musas inspiradoras não são garotas bossa-nova de Ipanema (mas poderiam até ser, que elas o adoram). Estão mais para meninas do subúrbio, negras, louras, morenas e mulatas de nomes Domingas, Jesualda, Aparecida, Bebete, Berenice, Katarina, Ana Tropicana, Xica da Silva. O próprio Jorge sempre esteve menos para Tom Jobim que para, bem... para Jorge Ben (Ben Jor ele só virou em 1989). Quando está aparecido, Jorge é sucesso simultâneo de público e de, digamos, crítica – não há músico suingado dos anos 90 ou 2000 que não goteje influência de sua matriz sonora (e filosófica), dos mangueboys a Seu Jorge, de Fernanda Abreu a Leandro Lehart, de Marisa Monte a Mano Brown.
Jorge andava sumido outra vez e ressurgiu no último dia 19 de setembro, numa das maiores casas paulistanas de shows – abarrotada como se ele fosse tema de abertura da novela das nove. Iniciada a apresentação, ficou imediatamente claro que o homem baile não apenas está de volta, mas que alguma coisa muito nova está acontecendo com ele. Ao longo da noite, mostrou que fez as pazes com o adorado disco A tábua de esmeralda, marco na história da música brasileira ao qual permaneceu reticente por muitos anos.
Concebido em 1974, era todo forrado de referências à alquimia, a arte quimérica de transformar metais diversos em ouro. Naquele ano, por sinal, não era só Jorge que andava a toda. Tim Maia se convertera ao Universo em Desencanto e fazia propaganda religiosa da organização nos maluquíssimos LPs Tim Maia Racional. Raul Seixas cortejava a magia negra e alardeava aos quatro ventos a Sociedade Alternativa. A exemplo do que fez Tim com a fase Racional, Jorge trancou no baú aquele capítulo.
Fato raríssimo, falou pelos cotovelos – sobre alquimia, a vida de seminarista, a também discretíssima família, suas relações com rap e funk carioca
A entrevista a seguir dá mais uma pista de que algo se move em seu peculiar imaginário. Jorge é desafio árduo para qualquer entrevistador. Geralmente muito reservado, gosta de responder com monossílabos e segundo uma lógica interna bem particular. Pois não foi assim desta vez. Atendeu à reportagem de Trip em condições de alta temperatura e pressão, tipicamente “benjorianas”, mas, fato raríssimo, falou pelos cotovelos – sobre alquimia, a vida de seminarista, a também discretíssima família, suas relações com rap e funk carioca.
A primeira etapa do encontro aconteceu no dia do show paulistano. Viajamos ao Rio de Janeiro apenas para encontrá-lo no aeroporto Santos Dumont e embarcar a seu lado para São Paulo. Durante o voo, aconteceu a maior parte da entrevista. Num segundo encontro, a convite dele, Trip conheceu a atual menina dos olhos de Jorge, um sarau chamado Corujão da Poesia, do qual ele é padrinho e mestre de cerimônia. Às terças-feiras, numa livraria 24 horas do Leblon, um Ben Jor assíduo (e notívago, talvez insone) faz vezes de MC e conduz uma jam como fundo musical para declamações madrugada adentro.
Imagem: Adhemar Veneziano / Editora Abril
O compositor com sua mãe, Silvia Saint Ben Lima, em registro de 1969
Confirmou-se ali a impressão de que o cantor cultiva apaixonadamente o hábito de permanecer eterna criança. O mesmo Jorge galante que no avião apanhou um punhadão de balas toffee do cesto da aeromoça (“Ah, aceito, essas balinhas me deixam maluco!”) reaparece no Corujão, distribuindo presentinhos para poetas: às moças, sacolinhas de São Cosme e Damião; aos rapazes, pipas (ou papagaios, bariletes, pandorgas, como listava em “Olha a pipa”, outra música que depois ficou perdida no tempo).
À maranhense Lília Diniz, que cantou e declamou Patativa do Assaré com voz de trovão, deu uma boneca (“Faz muito tempo que não ganho uma”, ela se espantou). Maravilhou-se quando o jovem poeta e palhaço Lucas Castelo Branco encenou com furor um enorme poema de Fernando Pessoa. Num dia em que o menino chamado Jorge estava a toda, ele ainda cedeu à sugestão da produção para uma suada sessão de fotos e então o inesperado aconteceu: às 3h30 da manhã, Jorge Ben (Jor) tornou-se o que sempre foi, o homem da gravata florida. Tal qual o país em que nasceu e que canta dez de cada dez canções que compõe, parece viver um momento de intenso reencontro consigo mesmo. Se por acaso você estranhar suas palavras sobre alquimia e transmutação, experimente escutá-lo não no sentido literal, mas sim no simbólico, no poético. Afinal é disso, de poesia, que o homem verde-negro-amarelo da gravata florida vive em tempo integral. Voa, Jorge, voa.
“Fiz dois anos de seminário, aqui no Rio, e aprendi latim por causa da literatura de São Tomás de Aquino”
(NO SAGUÃO DO AEROPORTO, ELE COMEÇA CONTANDO, EMPOLGADO, SOBRE O CORUJÃO DA POESIA.) VOCÊ LÊ POESIA?
Leio. Mês passado comemoramos lá os 102 anos de Jorge Luis Borges, o poeta argentino. Fizemos uma hora só de Borges. Levei um livro, todo mundo leu Borges, uma coisa maravilhosa. Só pra ficar nos Jorges, já fizemos Jorge de Lima, grande poeta brasileiro, alagoano, médico que se apaixonou pelo Rio de Janeiro.
Leio. Mês passado comemoramos lá os 102 anos de Jorge Luis Borges, o poeta argentino. Fizemos uma hora só de Borges. Levei um livro, todo mundo leu Borges, uma coisa maravilhosa. Só pra ficar nos Jorges, já fizemos Jorge de Lima, grande poeta brasileiro, alagoano, médico que se apaixonou pelo Rio de Janeiro.
VOCÊ SEMPRE GOSTOU DE LER? NOS ANOS 70, CITAVA DOSTOIÉVSKI EM MÚSICAS...
Sempre, sempre. Ganhei um livro de sonetos de Shakespeare que é a coisa mais linda, rapaz. O cara era fodaço, genial. Os sonetos são todos amorosos, têm coisas sarcásticas, mas é todo amoroso, ele devia ter uma musa maravilhosa. Leio as biografias dos meus musos, os poetas brasileiros. Oswald de Andrade, puta que pariu!, os versos dele, sonetos, tudo malandreado, ele já era moderno, estava à frente. Na minha adolescência já lia coisas difíceis, lia e decorava textos em latim. Sabia São Tomás de Aquino, a Suma teológica, coisas que aprendi no seminário.
Sempre, sempre. Ganhei um livro de sonetos de Shakespeare que é a coisa mais linda, rapaz. O cara era fodaço, genial. Os sonetos são todos amorosos, têm coisas sarcásticas, mas é todo amoroso, ele devia ter uma musa maravilhosa. Leio as biografias dos meus musos, os poetas brasileiros. Oswald de Andrade, puta que pariu!, os versos dele, sonetos, tudo malandreado, ele já era moderno, estava à frente. Na minha adolescência já lia coisas difíceis, lia e decorava textos em latim. Sabia São Tomás de Aquino, a Suma teológica, coisas que aprendi no seminário.
VOCÊ FOI SEMINARISTA?
Fui, fiz dois anos de seminário, aqui no Rio. Aprendi latim por causa de São Tomás de Aquino [pronuncia “Aqüino”, com trema]. Ele tem uns textos lindos, a Suma teológica... Saber que um santo como ele era um alquimista famoso... É demais, pra você ver, São Tomás de Aquino escreveu uma coisa simples, bonita e poderosa [fala em tom recitado]: “O mundo é um suceder de níveis, desde a matéria inanimada até a suprema beatitude do ser eterno, que é Deus”. Ele diz que a primeira lei natural é a conservação da vida – todo mundo quer conservar a vida –, depois a geração, que é ter filhos e educar os filhos, e depois o desejo de verdade. O único país que aproveitou bem a teologia de São Tomás de Aquino foi a Alemanha. A Constituição alemã é toda tomasiana, toda. Outros imitam, mas a Alemanha...
Fui, fiz dois anos de seminário, aqui no Rio. Aprendi latim por causa de São Tomás de Aquino [pronuncia “Aqüino”, com trema]. Ele tem uns textos lindos, a Suma teológica... Saber que um santo como ele era um alquimista famoso... É demais, pra você ver, São Tomás de Aquino escreveu uma coisa simples, bonita e poderosa [fala em tom recitado]: “O mundo é um suceder de níveis, desde a matéria inanimada até a suprema beatitude do ser eterno, que é Deus”. Ele diz que a primeira lei natural é a conservação da vida – todo mundo quer conservar a vida –, depois a geração, que é ter filhos e educar os filhos, e depois o desejo de verdade. O único país que aproveitou bem a teologia de São Tomás de Aquino foi a Alemanha. A Constituição alemã é toda tomasiana, toda. Outros imitam, mas a Alemanha...
É FÁCIL DE ENCONTRAR? SÃO TOMÁS DE AQUINO NÃO É MUITO POPULAR, É?
Não, não é. Uma vez na Itália, terra dele, perguntei e o livreiro falou: “Não, São Tomás de Aquino é um santo série B” [ri]. Não é um santo série A. Série A é São Pedro, São Paulo...
Não, não é. Uma vez na Itália, terra dele, perguntei e o livreiro falou: “Não, São Tomás de Aquino é um santo série B” [ri]. Não é um santo série A. Série A é São Pedro, São Paulo...
SÃO JORGE...
São Jorge também é B... Aqui no Brasil que é A. Gozado... [Nos acomodamos nas poltronas do avião]. Na Delta Airlines e na American Airlines tem as aerovelhas [risos], elas são bravas, “Não pode passar aí, não é seu lugar, porra!”.
São Jorge também é B... Aqui no Brasil que é A. Gozado... [Nos acomodamos nas poltronas do avião]. Na Delta Airlines e na American Airlines tem as aerovelhas [risos], elas são bravas, “Não pode passar aí, não é seu lugar, porra!”.
Imagem: Hamilton / AJB
Em um boteco, foto para reportagem do Jornal do Brasil em 1970
VOCÊ CHAMA ELAS DE AEROVELHAS??
Não, não, mas são todas velhinhas bonitinhas, arrumadinhas. Os americanos têm isso de bom, deixam as velhinhas trabalharem de aeromoças [um jogador de futebol se senta a seu lado].
ESSE NÃO É DO SEU TIME...
Não. Ele foi do Flamengo.
Não. Ele foi do Flamengo.
NÃO ENTENDO NADA DESSE ASSUNTO...
Esporte você não cobre não?
Esporte você não cobre não?
NÃO, MAIS MÚSICA.
Só música? Ah, o relacionamento da música com futebol é bom, pô.
Só música? Ah, o relacionamento da música com futebol é bom, pô.
POIS É, A COMEÇAR POR VOCÊ, JORGE. NUNCA ENTENDO ONDE VOCÊ MORA. UM POUCO NOS EUA E UM POUCO NO RIO?
É, moro um pouco lá, um pouco no Rio e um pouco em São Paulo. Antigamente era mais nos Estados Unidos, por causa da escola e da faculdade dos meus filhos, Gabriel e Tomaso. Fiquei nos Estados Unidos, porque lá, enquanto o filho é menor, você tem que estar perto. O tutor tem que aparecer, pra pagar as contas principalmente [ri] e pra saber como estão as notas. Depois, na faculdade melhorou, mas na high school tinha que ficar mais tempo lá que aqui. Morava no interior da Flórida, em uma cidade bem caipira, Bradenton, uma cidade onde você vê ainda aqueles caras que nem em filme, de macacão e chapéu de rancheiro. A cidadezinha tem a maior high school pra estudantes de fora.
É, moro um pouco lá, um pouco no Rio e um pouco em São Paulo. Antigamente era mais nos Estados Unidos, por causa da escola e da faculdade dos meus filhos, Gabriel e Tomaso. Fiquei nos Estados Unidos, porque lá, enquanto o filho é menor, você tem que estar perto. O tutor tem que aparecer, pra pagar as contas principalmente [ri] e pra saber como estão as notas. Depois, na faculdade melhorou, mas na high school tinha que ficar mais tempo lá que aqui. Morava no interior da Flórida, em uma cidade bem caipira, Bradenton, uma cidade onde você vê ainda aqueles caras que nem em filme, de macacão e chapéu de rancheiro. A cidadezinha tem a maior high school pra estudantes de fora.
VOCÊ ESTRANHAVA? O CARA QUE COMPÔS “PAÍS TROPICAL” MORAR NESSE LUGAR...
Não, porque dali em menos de quatro horas você está em Miami, de carro. Eles eram internos, a escola soltava no fim de semana, e eles iam para Miami. Hoje Gabriel mexe com tecnologia de música e esse negócio de hotelaria. Faz hotelaria e música eletrônica, essa de DJ.
Não, porque dali em menos de quatro horas você está em Miami, de carro. Eles eram internos, a escola soltava no fim de semana, e eles iam para Miami. Hoje Gabriel mexe com tecnologia de música e esse negócio de hotelaria. Faz hotelaria e música eletrônica, essa de DJ.
ENGRAÇADO, O FILHO DO JORGE BEN...
É, e o Tomaso se formou em business administration. Trabalha na bolsa, em Wall Street. Pra Gabriel ainda faltam dois anos de faculdade. Agora minha mulher fica lá com eles, só vem pra cá resolver umas coisas.
FAZ MUITOS SHOWS LÁ?
Lá tem muito trabalho. Mas a agenda tá mais aqui. Junior [Airton Valadão Jr., irmão do cantor Nasi] é um grande empresário. Se você falar pra ele: “Ó, eu quero de segunda a sexta”, ele arranja.
É, e o Tomaso se formou em business administration. Trabalha na bolsa, em Wall Street. Pra Gabriel ainda faltam dois anos de faculdade. Agora minha mulher fica lá com eles, só vem pra cá resolver umas coisas.
FAZ MUITOS SHOWS LÁ?
Lá tem muito trabalho. Mas a agenda tá mais aqui. Junior [Airton Valadão Jr., irmão do cantor Nasi] é um grande empresário. Se você falar pra ele: “Ó, eu quero de segunda a sexta”, ele arranja.
VOCÊ GOSTA DE FAZER SHOWS DE SEGUNDA A SEXTA?
Não, não dá. Modéstia à parte, o nosso show é show, e dois pra gente no mesmo dia não é legal, um não ia sair bom.
Não, não dá. Modéstia à parte, o nosso show é show, e dois pra gente no mesmo dia não é legal, um não ia sair bom.
SEUS FILHOS SÃO DISCRETOS, NUNCA VI FOTOS DELES.
Tem pouca foto. Eles não gostam muito não.
Tem pouca foto. Eles não gostam muito não.
VOCÊ TAMBÉM É MUITO DISCRETO. FALA SOBRE MÚSICA, E MESMO ASSIM É BEM RARO.
É, falo sobre o meu trabalho. Agora eu tô falando sobre livro e poesia porque gosto.
É, falo sobre o meu trabalho. Agora eu tô falando sobre livro e poesia porque gosto.
MUITA GENTE TALVEZ SE SURPREENDA COM ESSE LADO, PORQUE SUA MÚSICA É POPULAR, NÃO VAI PRO LADO “INTELECTUAL”.
É, às vezes eu censuro... Pô, não pode ser muito intelectual, tem que misturar. Minha música é urbana e suburbana. Dostoiévski foi o primeiro livro cabeça que li, depois de São Tomás de Aquino. Foi Os irmãos Karamazov. É um poeta quase contemporâneo. Passou por aquela Rússia toda, dos czares. O jogadortambém é demais...
É, às vezes eu censuro... Pô, não pode ser muito intelectual, tem que misturar. Minha música é urbana e suburbana. Dostoiévski foi o primeiro livro cabeça que li, depois de São Tomás de Aquino. Foi Os irmãos Karamazov. É um poeta quase contemporâneo. Passou por aquela Rússia toda, dos czares. O jogadortambém é demais...
Leitura minha total. A história do Taj Mahal é linda, na Índia, na cidade de Agra. O príncipe Xá-Jehan era persa, na época em que a Pérsia dominava. E ele casou com Nunts Mahal, devia gostar muito dela, porque tiveram 14 filhos e ele ainda contratou os melhores artesãos turcos e italianos para fazer aquele palácio maravilhoso de pedras preciosas, o Taj Mahal.
VOCÊ JÁ FOI LÁ?
Não. Soube agora que o palácio está moderno, não tinha nem banheiro pra turista, agora tem. Vou ter que ir. Tentei duas vezes, estava em Londres, e a gente ia tocar depois na Tunísia, França, Itália. Aí pensei: vou pra Agra. Mas ia ter que tomar três vacinas e fiquei pensando: pô, vou tomar vacina, pode me dar alguma coisa e tenho o resto da excursão pra fazer. Aí estou esperando.
Não. Soube agora que o palácio está moderno, não tinha nem banheiro pra turista, agora tem. Vou ter que ir. Tentei duas vezes, estava em Londres, e a gente ia tocar depois na Tunísia, França, Itália. Aí pensei: vou pra Agra. Mas ia ter que tomar três vacinas e fiquei pensando: pô, vou tomar vacina, pode me dar alguma coisa e tenho o resto da excursão pra fazer. Aí estou esperando.
VOCÊ FALA DOS TUAREGUES EM MÚSICA, FICO IMAGINANDO SE NO SEU SANGUE NÃO CORRE ALGUMA COISA ORIENTAL...
Não, mas eu gosto daquela história. Tem uma espiritualidade, a Índia toda tem. Minha ascendência por parte de mãe é etíope. Agora, por parte de meu pai, é uma mistura de europeus. A família toda dele é branquinha, minha avó era branca, dizem que era austríaca. Meu pai era moreno, nasceu no Brasil já misturado. O resto da família é tudo claro, e eu sou mesclado porque misturou com minha mãe, a África. Nem é muito África lá, Etiópia é outra coisa. Uma coisa incrível que eu estava vendo é que na Etiópia mesmo eles se sentem mais europeus que africanos.
Não, mas eu gosto daquela história. Tem uma espiritualidade, a Índia toda tem. Minha ascendência por parte de mãe é etíope. Agora, por parte de meu pai, é uma mistura de europeus. A família toda dele é branquinha, minha avó era branca, dizem que era austríaca. Meu pai era moreno, nasceu no Brasil já misturado. O resto da família é tudo claro, e eu sou mesclado porque misturou com minha mãe, a África. Nem é muito África lá, Etiópia é outra coisa. Uma coisa incrível que eu estava vendo é que na Etiópia mesmo eles se sentem mais europeus que africanos.
“Eu morava no interior da Flórida, numa cidade bem caipira, Bradenton, onde você vê ainda aqueles caras que nem em filme, de macacão e chapeu de rancheiro”
PODE CONTAR SOBRE SUA INFÂNCIA?
Ah, meus pais foram maravilhosos. Meu pai nasceu no Rio. Minha mãe nasceu na divisa de Rio e São Paulo, em zona rural, não sei se é Queluz. Meu avô era agricultor. Contam que veio pra cá sem querer, que estava em um navio que saiu lá do Mediterrâneo e ia pra outro lugar, e aí parou no Brasil. Por isso eu falo “por um descuido geográfico parou no Brasil num dia de Carnaval” [verso de “Crioula”, de 1969].
Ah, meus pais foram maravilhosos. Meu pai nasceu no Rio. Minha mãe nasceu na divisa de Rio e São Paulo, em zona rural, não sei se é Queluz. Meu avô era agricultor. Contam que veio pra cá sem querer, que estava em um navio que saiu lá do Mediterrâneo e ia pra outro lugar, e aí parou no Brasil. Por isso eu falo “por um descuido geográfico parou no Brasil num dia de Carnaval” [verso de “Crioula”, de 1969].
DE ONDE VINHA O NAVIO?
Da Etiópia. Que estava sendo invadida.
Da Etiópia. Que estava sendo invadida.
O QUE SEUS PAIS FAZIAM?
De meu pai aprendi a malandragem e o lado filósofo. Meu pai foi um grande estivador. Tinha um Ford bigode, um caminhão, e o orgulho dele era domingo levar o pessoal pro futebol e pra piquenique. Trabalhou de estivador e quando se aposentou fez parte do bon-vivant da zona sul, morava em Copacabana, ia à praia pescar.
De meu pai aprendi a malandragem e o lado filósofo. Meu pai foi um grande estivador. Tinha um Ford bigode, um caminhão, e o orgulho dele era domingo levar o pessoal pro futebol e pra piquenique. Trabalhou de estivador e quando se aposentou fez parte do bon-vivant da zona sul, morava em Copacabana, ia à praia pescar.
SUA FAMÍLIA NUNCA FOI POBRE?
Não, pobre não. Sempre teve roupa pra mim, e colégio. Esses quase três anos que passei no seminário foram uma bolsa de estudo que meu pai arrumou pra mim. Tinha saído do primário, fiz ginásio e aí arrumei a bolsa, foi a melhor coisa.
Não, pobre não. Sempre teve roupa pra mim, e colégio. Esses quase três anos que passei no seminário foram uma bolsa de estudo que meu pai arrumou pra mim. Tinha saído do primário, fiz ginásio e aí arrumei a bolsa, foi a melhor coisa.
VOCÊ GOSTAVA? SEMINÁRIO PASSA A IDEIA DE ALGO RIGOROSO.
Era rigoroso total, mas tinha uma aura... Quando você voltava pro povo, você sentia. Mudava tudo, era um distúrbio. Lá era uma calmaria, falava-se baixo, sem palavrão, cumprindo ordens. Você tinha acesso aos livros pra rezar, pra cantar no coro gregoriano, aquelas coisas bonitas. Eu rezava missa em latim. Fui coroinha também.
Era rigoroso total, mas tinha uma aura... Quando você voltava pro povo, você sentia. Mudava tudo, era um distúrbio. Lá era uma calmaria, falava-se baixo, sem palavrão, cumprindo ordens. Você tinha acesso aos livros pra rezar, pra cantar no coro gregoriano, aquelas coisas bonitas. Eu rezava missa em latim. Fui coroinha também.
Imagem: Paulo Salomao / Editora Abril
Com Caetano Veloso, Gilberto Gil, Rita Lee, Gal Costa e os irmãos Sérgio e Arnaldo Baptista, na estreia do programa Divino, Maravilhoso, da rede Tupi
Sou religioso. Sou cristão, católico e carioca. Só não sou romano porque nasci no Rio de Janeiro.
MAS É ECLÉTICO TAMBÉM. OGUM APARECE MUITO NAS MÚSICAS.
Faz parte da filosofia, né? A igreja, sabe, foi uma coisa que os negros africanos tiveram que inventar, em cada orixá eles botavam o nome de um santo, pra poder sobreviver. É a mitologia dos orixás, essa é a mística.
Faz parte da filosofia, né? A igreja, sabe, foi uma coisa que os negros africanos tiveram que inventar, em cada orixá eles botavam o nome de um santo, pra poder sobreviver. É a mitologia dos orixás, essa é a mística.
É VERDADE QUE VOCÊ QUERIA SER JOGADOR DE FUTEBOL, E NÃO MÚSICO?
É, joguei no infanto juvenil do Flamengo. O futebol era bom, mas eu tinha que correr pra trabalhar, estudar, pagar as contas. Lá não ganhava nada, não era remunerado. Até que apareceu a música, mas era outra coisa que eu também não queria.
É, joguei no infanto juvenil do Flamengo. O futebol era bom, mas eu tinha que correr pra trabalhar, estudar, pagar as contas. Lá não ganhava nada, não era remunerado. Até que apareceu a música, mas era outra coisa que eu também não queria.
AI, MEU DEUS. O QUE SERIA DE NÓS?
Meu pai e minha mãe não gostavam. Naquele tempo músico era considerado um marginal, aquelas coisas. Não tinha respeito. Eu trabalhei um pouquinho de despachante, das 10h às 16h. E, nesse ínterim todo, eu já estava na alquimia.
Meu pai e minha mãe não gostavam. Naquele tempo músico era considerado um marginal, aquelas coisas. Não tinha respeito. Eu trabalhei um pouquinho de despachante, das 10h às 16h. E, nesse ínterim todo, eu já estava na alquimia.
ESTUDANDO, FREQUENTANDO GRUPOS?
Estudando. E tinha um grupo, um grupo de adeptos maravilhosos. Eram da América do Sul, e tinha um brasileiro, professor ou reitor de faculdade, de São Paulo. Junto com um grupo de adeptos da alquimia, ele viu uma transmutação, em 1958.
Estudando. E tinha um grupo, um grupo de adeptos maravilhosos. Eram da América do Sul, e tinha um brasileiro, professor ou reitor de faculdade, de São Paulo. Junto com um grupo de adeptos da alquimia, ele viu uma transmutação, em 1958.
DE METAL EM OURO?
É, é. Eles viram, e falaram pra mim: “É uma arte”. Quando conversei com eles falei de São Tomás de Aquino... A igreja proíbe falar que ele foi alquimista. Proíbe, mas ele foi. O papa Silvestre deixava, isso no século 13, porque São Tomás de Aquino era um cara de família riquíssima. E ele quis ser padre, monge. Seus pais tinham preparado ele pra ser o conde de Assis, maravilhoso, ricaço. Tanto que se internou sozinho. Foram tirá-lo de lá, e ele falou: “Quero ser padre, gosto daqui”. Em pleno século 13 ele escreveu aquilo tudo, já fazia arte com alquimia. E esses caras daqui viram em 1958, deviam ser grandes na alquimia pra ser convidados pra ver. A todo lugar que tinha ourives, eu ia com outro amigo estudante ver como se fazia ouro. E a gente ficava indignado, eu conto isso numa música do disco Solta o pavão [de 1975, na faixa “Luz polarizada”]: “Coloque o seu grisol sobre a luz polarizada...”.
É, é. Eles viram, e falaram pra mim: “É uma arte”. Quando conversei com eles falei de São Tomás de Aquino... A igreja proíbe falar que ele foi alquimista. Proíbe, mas ele foi. O papa Silvestre deixava, isso no século 13, porque São Tomás de Aquino era um cara de família riquíssima. E ele quis ser padre, monge. Seus pais tinham preparado ele pra ser o conde de Assis, maravilhoso, ricaço. Tanto que se internou sozinho. Foram tirá-lo de lá, e ele falou: “Quero ser padre, gosto daqui”. Em pleno século 13 ele escreveu aquilo tudo, já fazia arte com alquimia. E esses caras daqui viram em 1958, deviam ser grandes na alquimia pra ser convidados pra ver. A todo lugar que tinha ourives, eu ia com outro amigo estudante ver como se fazia ouro. E a gente ficava indignado, eu conto isso numa música do disco Solta o pavão [de 1975, na faixa “Luz polarizada”]: “Coloque o seu grisol sobre a luz polarizada...”.
NUNCA ENTENDI ESSA LETRA, “COLOQUE O SEU...”?
O seu grisol sobre a luz polarizada. Grisol é um frasco de vidro inquebrável. E aquele que forja a falsa prata e o falso ouro não merece a simpatia de ninguém. A gente ficava indignado, todas essas lojas de ourives, pô, aquele ouro todo... era mais metal que ouro. Os alquimistas falavam que é preciso um ouro que não se pode falsificar, é o ouro de dentista, aquele ouro 14, ouro malhado.
O seu grisol sobre a luz polarizada. Grisol é um frasco de vidro inquebrável. E aquele que forja a falsa prata e o falso ouro não merece a simpatia de ninguém. A gente ficava indignado, todas essas lojas de ourives, pô, aquele ouro todo... era mais metal que ouro. Os alquimistas falavam que é preciso um ouro que não se pode falsificar, é o ouro de dentista, aquele ouro 14, ouro malhado.
“Eu fazia parte de um grupo [de alquimia] maravilhoso. tinha um professor que viu uma transmutação [de metal em ouro], em 1958”
AINDA EXISTEM ALQUIMISTAS?
Eu conheço, na França. Na Europa ainda tem. No Brasil não, não tem.
Eu conheço, na França. Na Europa ainda tem. No Brasil não, não tem.
E VOCÊ JÁ FOI UM ALQUIMISTA?
Não, eu nunca cheguei a fazer transmutação.
Não, eu nunca cheguei a fazer transmutação.
NICOLAS FLAMEL E PARACELSO (PERSONAGENS DAS CANÇÕES DE A TÁBUA DE ESMERALDA) ERAM ALQUIMISTAS?
Eram, Nicolas Flamel, ele é que é meu muso. Ele e a mulher dele. Ele é “O namorado da viúva”. Ninguém queria ela – não, eles queriam, mas tinham medo, porque ela era rica e já era viúva três vezes. Flamel é do século 15. É o meu muso [cantarola], “namo-mora-rado da viúva”...
Eram, Nicolas Flamel, ele é que é meu muso. Ele e a mulher dele. Ele é “O namorado da viúva”. Ninguém queria ela – não, eles queriam, mas tinham medo, porque ela era rica e já era viúva três vezes. Flamel é do século 15. É o meu muso [cantarola], “namo-mora-rado da viúva”...
E PARACELSO É “O HOMEM DA GRAVATA FLORIDA”?
É! A história dele é maravilhosa também. Tem até hoje a casa dele na Suíça alemã. Levei o Gilberto Gil na casa do Nicolas Flamel. E, por incrível que pareça, o Gil viu uma coisa lá que eu vi, só nós dois vimos, na casa de Nicolas Flamel. Depois eu perguntei: “Gil, você viu uma coisa que eu vi?”. Ele falou: “Eu vi, você viu?”. Foi incrível.
É! A história dele é maravilhosa também. Tem até hoje a casa dele na Suíça alemã. Levei o Gilberto Gil na casa do Nicolas Flamel. E, por incrível que pareça, o Gil viu uma coisa lá que eu vi, só nós dois vimos, na casa de Nicolas Flamel. Depois eu perguntei: “Gil, você viu uma coisa que eu vi?”. Ele falou: “Eu vi, você viu?”. Foi incrível.
MAS O QUE FOI?
Vi uma coisa lá, na casa de Nicolas Flamel.
Vi uma coisa lá, na casa de Nicolas Flamel.
NÃO VAI CONTAR O QUÊ?
Não, não. Mas vimos.
Não, não. Mas vimos.
E NÃO ERA SOB O EFEITO DE ALGUMA SUBSTÂNCIA?
Não, não. Vimos uma coisa lá. Nós vimos alguma coisa, mas bonita, não feia. Uma coisa bonita.
Não, não. Vimos uma coisa lá. Nós vimos alguma coisa, mas bonita, não feia. Uma coisa bonita.
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